Aqui a fantasia dá o tom

Capa do livro desfocada harry potter e a pedra filosofal. Harry voa na vassoura e passa por debaixo de um arco aonde está escrito o nome do livro em baixo dele está escrito o nome da autoraOlá turminha do Blog Literagindo, tudo bem?

  Escrevo este artigo em um dia de fim de semana, onde normalmente, as famílias ficam unidas, mas se você não soltar a criança que existe em você, será difícil continuar a ler este artigo.

  Se você é do tempo que sonhava voar como Peter Pan das obras de J M. Barry, ou amava ficar em frente à tv assistindo os desenhos dos livros que, com maestria Walt Disney produziu, se você sonha em pegar uma varinha igual a que Harry Potter usava, seja nosso (a) convidado (a).

  Costumo dizer, que a fantasia não está apenas nos filmes, mas no coração de cada um. Justifico essa sentença com o seguinte exemplo: Imagine que você entra em uma livraria, seu autor preferido está estampado na primeira capa, mas você não pode abrir as páginas do livro para ler a sinopse, porque você não enxerga.

  Passada a frustração, enquanto todos já compraram o mais novo lançamento de J K. Rowling, você fica se perguntando: “Mas o que há neste livro que apenas eu não posso ler?”, respondo: a mesma magia, o mesmo encanto e os mesmos personagens, você mudará apenas sua forma de ler.

  Abracadabra – descobri os livros em áudio

  Passam-se vários dias e você fica sonhando com “A criança amaldiçoada”, J K. Rowling que não permitiu a difusão em formatos acessíveis e você continua sonhando em voar, fazer magias com seus amigos que, assim como você, não podem ver, afinal, o que fazer?

  Este artigo inicia os posts da coluna Leitura Inclusiva para lhe mostrar que, a fantasia pode ser vista com o coração. Como já sabemos, existem vários formatos de livros acessíveis: em áudio (gravados em mp3), livros em txt, doc ou pdf, (gravados brilhantemente por ledores humanos, os meus preferidos) e os livros que podemos ler através dos leitores de tela, tais como: (dosvox, nvda, voice over, orka, virtual vision e ipubs) e os livros que lemos através dos apps (kindle, voice dream).

  Seja qual for sua escolha, ainda há uma parcela da população que precisa das letras ampliadas, ou seja, que as fontes sejam grandes para que nossos amigos leiam. Neste caso, também existem recursos que podem auxiliar na leitura: (lupas eletrônicas, manuais, óculos de diferentes graus, o ampliador de fontes do pc, dos celulares, enfim, vale a alternativa).

  O que não pode acontecer é deixarmos a fantasia sem o encanto das páginas. Uma vez, eu li “As crônicas de Nárnia” de C.S. Lewis, em áudio, no entanto, devorei todos os livros da série, e querem saber? Amei, mas não perdi o encanto dessa fantástica história do mundo encantado dentro do guarda-roupa.

  Eu fico muito triste, quando alguém me diz que não conseguiu ler um livro porque não o tinha em formato acessível. Aqui, poderíamos colocar muitas questões, como: dificuldades financeiras, distância geográfica, mas, o que mais me entristece é saber que as editoras ou os escritores não autorizam a reprodução.

  A Lei Brasileira de Inclusão de 2015 e o tratado de Marraqueche, são algumas das Legislações que compõe o cenário de proteção às pessoas com deficiência. Poucos são os escritores que veem no formato acessível, uma forma de ganhar mais leitores.

  Aqui, não se trata de caridade, benevolência ou filantropia, trata-se sim, de um Direito previsto no 1.o Artigo da Constituição Federal de 1988 que diz: “Todas as pessoas tem direito à informação”, será?

  Não, e é nesse sentido, que quebra-se o encanto, quando nossos autores favoritos não chegam às nossas mãos.

  Flexibilidade seria a palavra certa: dos autores, das Editoras e dos leitores também, afinal, quem não quer ganhar dinheiro?

  As livrarias bem que tentam, desenvolvendo apps próprios para utilizarmos na leitura dos livros que compramos, mas… Pois é, o encanto se quebra quando abrimos os aplicativos com os leitores de tela, ou quando aparece aquela simples mensagem: “O download não está disponível”.

  Bem, continuaremos sonhando com Harry Potter e suas aventuras e C. S. Lewis e as aventuras da feiticeira e do leão, pois a fantasia aqui dá o tom de coragem, e não podemos desistir de uma atitude tão simples como ler um livro, apenas porque não enxergamos a ambição editorial.

  Se quisermos um futuro mais justo, precisamos investir em conhecimento e educação de qualidade, além dos muros de uma escola, pois podemos enxergar sim, a humanidade se transformando em vilã de si própria e, para isso, não precisamos ser Magos.

     Aqui a fantasia dá o tom

Eu sou Lúcia Mara Formighieri, cega, graduada em Comunicação Social/Jornalismo há 12 anos e apaixonada por livros. Idealizadora deste blog, parceira e colunista no Congresso de Acessibilidade, Canal de Notícias, entre outros.

“O que eu posso fazer enquanto comunicadora, para transformar a vida das pessoas?

Com este questionamento, criei este Blog, Literagindo, para tratar de Literatura e Leitura Inclusivas!

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